sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

métrica

Eram 4h da manhã e, já na cama, ela comia duas fatias de pão integral (da embalagem laranja, por favor) com requeijão e peito de peru. A ação era uma tentativa de acalmar a bebedeira.

Sozinha no quarto, primeiro ela escutou o tic tac do relógio recém-adquirido. Depois olhou para os ganchos atrás da porta que explicitam sua paixão por bolsas. Por sapatos ela também é apaixonada. Afinal, para eles não existe manequim ideal.

Depois dessas superficialidades, se deu conta do quanto a cama parecia grande demais. Uma dessas tradicionais, de 1,88m x 1,38m, que sempre acomodou com folga seus 1,70m de formas arredondadas, de repente parecia tão maior.

E enquanto ela buscava o sono, tentava se encaixar no que sabia lhe fazer falta. Olhou para as unhas azul sereia nas mãos que já foram mais jovens. Teve certeza de que o tempo é pouco ou muito na medida em que o amor vai e volta. Sem medida.

E a cama mediu menos com a chegada do sono e da certeza de que ele estará nela no dia seguinte.

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